sábado, 30 de junho de 2012

10 ANOS SEM CHICO XAVIER

     O maior médium brasileiro e que, sem dúvida, mais contribuiu para a divulgação da Doutrina Espírita em nosso país. Há dez anos, quando os brasileiros comemoravam a conquista do pentacampeonato de futebol, Chico Xavier desencarnou. A humildade e a caridade, algumas de suas principais qualidades, no entanto, nunca morrerão. Chico, conhecido por suas psicografias - deixou mais de 420 livros escritos com os ensinamentos de orientadores espirituais -, lançou uma semente que continua dando frutos até hoje.
          Em 30 de junho de 2002, Chico retornou à pátria espiritual deixando, além de suas obras, a exemplificação prática do amor, fé, esperança e caridade que ele demonstrou ao longo da sua permanência na Terra.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

COMPROMISSO REENCARNATÓRIO

Temos um compromisso com a Humanidade quando reencarnamos, por mais que isso possa parecer exagerado. Como seres singulares, com talentos específicos e objetivos individuais, complementamo-nos todos, por sermos seres inacabados. Nenhum espírito é capaz de realizar sua passagem neste planeta sem depender dos outros: nossa família biológica, em primeiro lugar, o chamado grupo primário e, ato contínuo, o grupo secundário, a sociedade através das instituições sociais, como a educação, lazer, segurança, etc.

Pela educação que recebemos, parece-nos que nosso compromisso restringe-se aos mais próximos, como pais, filhos, irmãos. No entanto, ao cumprirmos essas missões, estamos também contribuindo para a humanidade como um todo. Afinal, todas a pessoas, próximas ou não, relacionam-se com outras tantas, de modo que cada pessoa, como se fosse um ponto de uma grande rede social e espiritual, interliga-se ao imediato e ao mediato e, portanto, à parte, ao todo e à totalidade, simultaneamente.

Some-se a esse conjunto humano complexo todos os seres vivos que compartilham da natureza que nos envolve. Assim, através do processo servizador onde, desde as cadeias subatômicas até as composições mais complexas, cada ser se soma ao esforço conjunto para manutenção da vida e, a partir da singularidade de cada um, conseguimos vencer os desafios diários da nossas existências terrenas. É esse esforço conjunto que nos proporciona os insumos como água potável, luz elétrica, telecomunicações, transportes, computadores, assistência médica, educação, lazer, segurança, fotossíntese, limpeza dos ambientes pelos micro-organismos, pelas aves de rapina, bactérias auxiliando os processos digestivos, nas limpezas dos oceanos, etc. Enfim, uns cem números de atividades competitivo-cooperativas que nenhum indivíduo ou espécie, isoladamente, seria capaz de levar a cabo. Portanto, somos um porque somos todos, como nos ensina o espírito Antônio Grimm.

Dito isso, resta-nos refletir e meditar sobre a responsabilidade reencarnatória de cada um em particular e da humanidade contemporânea como um todo. Realizar nossa parte com dedicação, envolvimento e comprometimento não é opção, é obrigação. É a maneira mais efetiva de retribuirmos o que recebemos do conjunto hipercomplexo dos seres vivos que convivem conosco. Também é a melhor maneira de garantirmos a qualificação dos ambientes terrenos, para qualificarmos nossas existências e, por conseguinte, prepararmos a Terra para receber nossos sucessores. Assim, mesmo que intuitivamente, cada geração, apesar dos reveses momentâneos, tem deixado um mundo melhor para os que estão vindo.

Portanto, administrar os conflitos entre corpo e alma, para melhor utilizarmos esse magnífico instrumento de interação com a matéria e cumprirmos, integralmente, nossa jornada na Terra; entre espírito e matéria, na busca da afirmação da individualidade, mas também afirmação da unidade na diversidade, bem como, da adequada utilização dos recursos materiais para nosso aprendizado terreno; entre a liberdade e a autoridade, onde o exercício do livre arbítrio deve ser garantido por todos, permitindo a todos aprender o exercício da liberdade na permanente luta pelo autocontrole, por vencermos a nós mesmos.

Rui Simon Paz. Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

SINTONIA MORAL



     As leis de afinidade ou de sintonia que vigem em toda parte, respondem pela ordem e pelo equilíbrio universal.
           Pequena alteração para mais ou para menos, entre os fenômenos do eletromagnetismo e as forças da gravitação universal, tornaria as estrelas gigantes azuis ou pequenos astros vermelhos perdidos no caos.
          Transferidas para a ordem moral, as leis de afinidade promovem os acontecimentos vinculando os indivíduos, uns aos outros, de forma que o intercâmbio seja automático, natural.

          Mentes especializadas mais facilmente se buscam em razão do entendimento e interesse que as dominam na mesma faixa de necessidade. Sentimentos viciosos encontram ressonância em caracteres morais equivalentes produzindo resultados idênticos.
           O homem colérico sempre encontrará motivo para a irritação; assim como a pessoa dócil com facilidade identifica as razões para desculpar e entender.
          Há uma inevitável atração entre personalidades de gostos e objetivos semelhantes como repulsa em meio àqueles que transitam em faixas de valores que se opõem.

           Na área psíquica o fenômeno é idêntico.
         Cada mente se irradia em campo próprio, identificando-se com aquelas que aí se expandem.
           O psiquismo é o responsável pelos fenômenos físicos e emocionais do ser humano.
          Conforme a expansão das ideias, vincula-se a outras mentes e atua na própria organização fisiológica em que se apóia, produzindo manifestações equivalentes à onda emitida.
          Assim, os pensamentos positivos e superiores geram reações salutares, tanto quanto aqueloutros de natureza perturbadora e destrutiva produzem desarmonia e insatisfação.

         No campo das expressões morais o fenômeno prossegue com as mesmas características.
        Os semelhantes comportamentos entre os homens e os Espíritos jungem-se, impondo-lhes interdependência de conseqüências imprevisíveis.
       Se possuem um teor elevado, idealista, impelem os seres encarnados quão desencarnados a realizações santificantes, enquanto que, de caráter vulgar, facultam intercâmbio obsessivo ou tipificado pela burla, mentira, insanidade...
        É, portanto, inevitável afirmar-se que as qualidades morais do médium são de alta importância para o salutar intercâmbio entre os homens e os Espíritos.
         Somente as Entidades inferiores se apresentam por intermédio dos médiuns vulgares, insatisfeitos, imorais...
        Os Mentores, como é natural, sintonizam com aqueles que se esforçam por melhorar-se, empenhados na sua transformação moral, que combatem as más inclinações e insistem para vencer o egoísmo, o orgulho, esses cânceres da alma que produzem terríveis metástases na conduta do indivíduo.
       Pode-se e deve-se, pois, examinar o valor e a qualidade das comunicações espirituais, tendo-se em conta o caráter moral do médium, seu comportamento, sua vida.
Jesus, o Excelente Médium de Deus, demonstrou a grandeza da Sua perfeita identificação com o pensamento divino através da esplêndida pureza e elevação que O caracterizavam.

Livro: MOMENTOS DE MEDITAÇÃO, pelo Espírito Joanna de Angelis, pelo médium Divaldo Pereira Franco.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

RESPEITO A KARDEC

Cap. VII - 11
      A Doutrina Espírita sofre agressões a seus princípios, em virtude da ação insensata de seguidores incautos.

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          Dirigentes rendem-se ao culto da personalidade e fogem ao bom senso, semeando aflição e inegurança no meio doutrinário.

        Intelectuais cultivam superioridade arrogante, constrangendo companheiros e embaraçando instituições.

          Voluntários nas atividades assistenciais trocam a humildade de servir com dedicação pelo orgulho de servidores exigentes, perturbando o trabalho solidário em favor dos necessitados.

          Escritores e psicógrafos permutam a prudência do aprendizado seguro e paciente pela vaidade apressada, publicando páginas de conteúdo infiel à Codificação Espírita.

         Médiuns curadores barganham a prece simples com recursos fluídicos pelo exibicionismo onipotente, prometendo curas impossíveis e desviando enfermos do tratamento correto.

          Irmãos, situados nas áreas de pesquisa, menosprezam as lições do Evangelho e deixam-se envolver pelas teorias científicas da época, úteis e preciosas, mas por ntureza renováveis na marcha da evolução.

          Doutrinadores esquecem a palavra fraterna e consoladora, assumindo a posição de censores e dificultando a paz daqueles que lhes buscam a orientação e socorro.

         Jovens interpretam a seu modo a transformação moral, seguindo condutas em desacordo com a realidade do Espírito.

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          Essas distorções nascem, muitas vezes, em centros de estudos respeitáveis, onde os adeptos fazem a leitura da Codificação Kardequiana, moldando-a às próprias idéias e apregoando conclusões incompatíveis com os princípios doutrinários.

          O espírita tem a liberdade de pensar o Espiritismo e oferecer a colaboração de suas reflexões, mas convém que não esqueça o respeito a Kardec.

domingo, 17 de junho de 2012

MATÉRIA PRINCIPAL



Por Lucy Alves da Costa Tavernezi

     Quando frequentamos alguma instituição de ensino realizamos periodicamente provas as quais avaliam o nosso desempenho em cada matéria. Nesse processo aprendemos a identificar onde estamos tendo dificuldades de aprendizado. Sendo o planeta Terra uma escola, passamos também por situações variadas onde somos testados e avaliados. É muito importante estarmos atentos a essas situações, observar como nos comportamos em relação às dificuldades com a família, trabalho, saúde, amigos e relacionamentos em geral.

          Somos apenas um elo dessa corrente chamada vida. Nossas atitudes refletirão diretamente no nosso próximo, portanto a matéria principal a qual devemos nos dedicar ao estudo é o nosso ser. Existem pessoas que nem olham num espelho, não enfrentam a própria imagem física, imaginem a sua imagem espiritual... Se não nos dedicarmos a esse estudo com disciplina, quando a vida testar o nosso ser perante os desafios seremos reprovados e infelizmente teremos que repetir a lição. O autoconhecimento é a base para o bem viver. Através dele somos capazes de identificar nossas fraquezas e também as virtudes. Aquele que se autoconhece sabe ser forte, corajoso, fraterno e respeita o seu próximo. Se não nos conhecermos não poderemos fazer boas escolhas, em vez de vivermos apenas existiremos.

Lucy Alves da Costa Tavernezi é formada em Comunicação Social pela OSEC-SP e Participante de Grupos de Estudos Espíritas na SBEE.

FONTE: http://www.serespirita.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=613:materia-principal&catid=51:sabado&Itemid=54

 

sábado, 16 de junho de 2012

CAMPANHA DO AGASALHO HOJE!

NÃO TENHO MEDO DA MORTE




Gilberto Gil /Banda Larga Cordel

não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
e além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida

sexta-feira, 15 de junho de 2012

RIO +20 E A MUDANÇA EFETIVA




          Quem não ouviu falar do mais importante evento do planeta sobre meio ambiente, que se iniciou esta semana no Brasil, a Rio +20? O que se pode esperar de um encontro tão significativo? E como ele pode transformar o mundo?

          Quando o Astronauta Yuri Gagarin trouxe consigo do espaço a primeira foto da Terra no meio do “nada”, a percepção da finitude deste pequenino planeta azul e a aparente fragilidade da vida aqui existente, fez economistas e ambientalistas levantarem diferentes bandeiras em torno da urgência de se proteger o meio ambiente, uns pela dependência que a estrutura econômica mundial tem dos recursos naturais, outros em defesa do direito à vida.

         Desde então, importantes compromissos internacionais assinados em conferências mundiais - Estocolmo 72; Rio 92; Rio +10, entre outras - geraram poucos resultados efetivos. Quantas pessoas, afinal, verificam a procedência dos produtos em um supermercado e pagam mais por serem ecologicamente corretos? Quantos fazem compostagem? Quantos compram por necessidade e não por luxo ou mera satisfação? Quantos substituem o catalizador do carro ao final de sua vida útil? Quantos conhecem sua pegada ecológica e mudaram hábitos para reduzi-la? Quantas empresas mudaram seu propósito do lucro para o benefício social? Parece que tudo continua igual, mas agora com uma roupagem verdinha.

          Isso porque, parece que não se encontra respostas a estas questões em conferências internacionais de onde saem projetos magnânimes com foco longe do único lugar possível de ocorrer qualquer transformação efetiva: o interior do ser humano. O que acontece “lá fora” é reflexo do que está “lá dentro”, uma vez que ambos são nuances da mesma realidade. Somente um olhar franco e verdadeiro para dentro de si é capaz de conduzir a um segundo olhar do sujeito sobre si mesmo e sobre o seu mundo. Só com humildade se aceita diferenças e se libera o amor para alcançar a grandeza da unidade humana e o conceito de cidadania planetária. Só com conhecimento se reconhece a natureza comum da vida, a interdependência ser humano-meio e a responsabilidade das escolhas individuais para com o todo. Só por escolhas corajosas se desconstrói a ilusão da matéria, se conquista a paz e a felicidade incondicional. Só a felicidade compartilhada gera confiança que aproxima almas em torno de propósitos comuns. Somente pela confiança e a disponibilidade do servir é possível construir um mundo fraterno.

         Ah, então as conferências são inúteis? Longe disso! Seria ingenuidade chamar de inútil o encontro de centenas de chefes de Estado e milhares de pessoas que dialogam sobre temas comuns, cujas repercussões na mídia promovem reflexões em todo o planeta. Mas sem este olhar para dentro, as propostas dificilmente sairão das gavetas dos dirigentes e das pessoas bem intencionadas. Porque mudança efetiva, só de dentro para fora.


terça-feira, 12 de junho de 2012

O ESPÍRITO DE VERDADE - I


Prefácio do livro O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO.

A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume a um tempo o verdadeiro
caráter do Espiritismo e a finalidade desta obra; por isso foi colocada como prefácio.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

APRENDENDO A PERDOAR


“Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós,
vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não
perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também,
não vos perdoará os pecados.”
(Capítulo 10, item 2.)

          Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limitar nossa capacidade de perdoar.
          Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos, manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se nada tivesse acontecendo.
          Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em nossa volta está em ruínas. Perdoar não é“ser conivente” com as condutas inadequadas de parentes e amigos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento maior através do amor incondicional. Portanto, é um “modo de viver".
          O ser humano, muitas vezes, confunde o “ato de perdoar” com a negação dos próprios sentimentos, emoções e anseios, reprimindo mágoas e usando supostamente o “perdão” como desculpa para fugir da realidade que, se assumida, poderia como conseqüência alterar toda uma vida de relacionamento.
          Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manter-nos a uma certa “distância psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo, porque estamos engajados emocionalmente nesses envolvimentos neuróticos.
          Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
          Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão íntima é profunda.
          A mente recheada de idéias desconexas dificulta o perdão, e somente desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento sintoniza com as faixas da clareza e da nitidez, no processo denominado “renovação da atmosfera mental”.
         É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da prece, como forma de resgatar a harmonização de nosso “halo mental”. Método sempre eficaz, restaura-nos os sentimentos de paz e serenidade, propiciando-nos maior facilidade de harmonização interior.
         A qualidade do pensamento determina a “ideação” construtiva ou negativa, isto é, somos arquitetos de verdadeiros “quadros mentais” que circulam sistematicamente em nossa própria órbita áurica. Por nossa capacidade de “gerar imagens” ser fenomenal, é que essas mesmas criações nos fazem ficar presos em “mono-idéias”. Desejaríamos tanto esquecer, mas somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção-conseqüência”.
          Desligar-se ou desconectar-se não é um processo que nos torna insensíveis e frios, como criaturas totalmente impermeáveis às ofensas e críticas e que vivem sempre numa atmosfera do tipo “ninguém mais vai me atingir ou machucar”. Desligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de hipnoses magnéticas, de alucinações íntimas, de represálias, de desforras de qualquer matiz ou de problemas que não podemos solucionar no momento.
          Ao soltar-nos vibracionalmente desses contextos complexos, ao desatar-nos desses fluidos que nos amarram a essas crises e conflitos existenciais, poderemos ter a grande chance de enxergar novas formas de resolver dificuldades com uma visão mais generalizada das coisas e de encontrar, cada vez mais, instrumentos adequados para desenvolvermos a nobre tarefa de nos compreender e de compreender os outros.
          Quando acreditamos que cada ser humano é capaz de resolver seus dramas e é responsável pelos seus feitos na vida, aceitamos fazer esse “distanciamento” mais facilmente, permitindo que ele seja e se comporte como queira, dando-nos também essa mesma liberdade. Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja companheiros complicados, não significa que deixaremos de nos importar com eles, ou de amá-los ou de perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo compreender, padecer, suportar e admitir.
          Além do que, desligamento nos motiva ao perdão com maior facilidade, pelo grau de libertação mental, que nos induz a viver sintonizados em nossa própria vida e na plena afirmação positiva de que “tudo deverá tomar o curso certo, se minha mente estiver em serenidade”.
          Compreendendo por fim que, ao promovermos “desconexão psicológica”, teremos sempre mais habilidade e disponibilidade para perceber o processo que há por trás dos comportamentos agressivos, o que nos permitirá não reagir da maneira como o fazíamos, mas olhar “como é e como está sendo feito” nosso modo de nos relacionar com os outros. Isso nos leva, conseqüentemente, a começar a entender a “dinâmica do perdão”.
          Uma das mais eficientes técnicas de perdoar é retomar o vital contato com nós mesmos, desligando-nos de toda e qualquer “intrusão mental”, para logo em seguida buscar uma real empatia com as pessoas. Deixamos de ser vítimas de forças fora de nosso controle para transformar-nos em pessoas que criam sua própria realidade de vida, baseadas não nas críticas e ofensas do mundo, mas na sua percepção da verdade e na vontade própria.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

CORAGEM


Posso todas as coisas em Cristo
que me fortalece. - FILIPENSES, 4:13

     Coragem, eis do que necessitará hoje e sempre para enfrentar a si mesmo ante os embates do cotidiano.
          Nenhum problema de fora é tão forte quanto à violenta avalanche de desânimo ou fraqueza, pessimismo ou medo que nascem de sua alma quando você é convocado a superar as crises exteriores.
          Antes das batalhas, diaslogue consigo mesmo, acalme-se, respire profunda e calmamente, busque a fonte de força maior, que é Deus, banhe-se na oração e, em seguida, aplique-se ao seu dever.
          Tomando esses cuidados consigo mesmo, certamente o Pai terá, igualmente, melhores possibilidades para cuidar de você.
          Prepare-se corajosamente e siga com confiança, mas lembre-se que até mesmo a coragem precisa de clima e condições para se expressar com justiça, equilíbrio e bons resultados.

FONTE: do livro LIÇÕES PARA O AUTOAMOR, pelo Espírito Ermance Dufaux, pelo médium Wanderley Oliveira.

sábado, 2 de junho de 2012

UMA QUESTÃO DE FÉ



Por Rodrigo Fontana França

(colunista da Revista "Ser Espírita" - http://www.serespirita.com.br/)

Tratar de fé é assunto dos mais complexos, já que cada um de nós a concebe de uma maneira, de acordo com sua cultura, suas experiências, suas vivências, seu conjunto de valores e seu alcance possível.

Grande parte das desavenças ocorridas em torno da fé ao longo da história da humanidade deu-se justamente em virtude da tentativa de imposição de uma fé dogmática e presunçosa, baseada no orgulho, na vaidade e em falácias, sustentadas unicamente através do medo e de ameaças, quando, na verdade, deve a fé se basear na humildade, e em um processo aberto de busca racional pelo Creador.

Em virtude de nossa herança cultural, o vocábulo ‘fé’ costuma ser associado ao conceito de ‘crença’, sendo este, quiçá, um dos principais elementos causadores de tanta discórdia sobre esse tema.

O dicionário Aurélio aponta, entre outras, a seguinte definição de fé: ‘conjunto de dogmas e doutrinas que constituem um culto’. Tal definição, de fato, subsume-se exclusivamente ao conceito de ‘crença’, e contempla apenas elementos exteriores, que nada tem a ver com a ligação existente entre o ser humano e o Creador, sendo, pois, absolutamente lacônica e insatisfatória.

Enquanto a ‘crença’ trata de mera opinião, algo incerto, indefinido (como quando alguém diz: ‘creio que meu time é o melhor’), a fé, que deriva da raiz latina fides, tem a mesma origem etimológica do que o vocábulo ‘fidelidade’, e há que ser compreendida justamente nesse sentido de harmonia, de sintonia.

Como bem exemplifica Huberto Rohden, “Quando o meu aparelho de rádio está sintonizado com a onda eletrônica emitida pela estação emissora, então meu rádio apanha nitidamente a música irradiada pela emissora – meu rádio tem ‘fé’, fidelidade, alta fidelidade com a estação emissora. Mas quando o meu aparelho receptor não está afinado pela mesma freqüência vibratória da emissora, não apanha a música, porque não tem ‘fé’, fidelidade, sintonia.”1

O mesmo autor segue esclarecendo a razão de muitas vezes utilizarmos o vago termo ‘crença’, quando na verdade estamos tratando de ‘fé’. Segundo ele, o substantivo latino fides não encontra verbo correspondente, da mesma forma que o substantivo fé, o que levou os primeiros tradutores do evangelho (que como sabemos foi inicialmente escrito em grego) a utilizar o termo latino credere como equivalente, e nos leva a tratar ‘fé’ e ‘crença’ como sinônimos, em que pese serem termos bastante distintos.

De fato, se buscarmos compreender a fé como uma sintonia com Deus, nosso Creador, sua compreensão e assimilação se tornam muito mais facilitadas. Valendo-nos do pertinente exemplo do rádio, torna-se fácil percebermos que nossa compreensão de Deus será tanto melhor, quanto maior for a sintonia que consigamos fazer com o Creador. Por outro lado, essa sintonia pode sofrer uma série de interferências, as quais surgem das mais variadas formas em nosso dia a dia, e têm como grande propulsor o materialismo exacerbado. Cabe a cada um de nós buscar depurar-se a fim de que essa sintonia se dê da forma mais fidedigna possível.

Essa freqüência com a divindade não se dá, por evidente, através de dogmas aceitos sem exame, ou de imposições, devendo, necessariamente, ocorrer por meio de deduções lógicas e racionais, somadas à certeza que cada um de nós tem da existência desse plano superior.

A verdadeira fé encontra-se, justamente nessa convicção que nos anima e nos desperta para os ideais elevados², e baseia-se na razão, no discernimento e na compreensão, enquanto a fé cega, baseada em dogmas muitas vezes ilógicos, acaba por conduzir ao fanatismo. Em que pese afirmarmos a necessidade de uma fé congruente e raciocinada, como forma de atingir seu verdadeiro significado, não podemos olvidar que a fé não pode ser compreendida de forma simplesmente teórica e estática, devendo, pois, ser vivida, para que possa ser alcançada em sua plenitude.

O alcance da verdadeira fé se faz, pois, essencialmente através da busca pelo autoconhecimento, eis que é através de tal prática que o indivíduo poderá fazer a gradativa compreensão da dinâmica existencial, bem como do papel que deve desempenhar no trânsito da Terra. A fé não deve nunca ser imposta ou prescrita, mas construída de dentro para fora, cabendo, a cada um a tarefa de procurar compreendê-la e aflorá-la.

1 ROHDEN, Huberto. Sabedoria das Parábolas. São Paulo: Martin Claret, 2007. p.128.

2 DENIS, Leon. Depois da Morte. Rio de Janeiro: FEB, 2008. p.349.