sábado, 21 de julho de 2012

CONHECE-TE A TI MESMO

Por Rodrigo Fontana França
     Uma das principais bases de todos os sistemas morais e religiosos da Terra, é a busca e a compreensão do auto-conhecimento. Podemos perceber tal figura como supedâneo em uma série de sistemas filosófico-religiosos, como os preconizados por Sócrates, Sidartha Galtama, Krishna, Confúcio, Lao Tse, etc.

          Aliás, interessante atentarmos ao fato de que a frase ‘conhece-te a ti mesmo’ estava escrita no frontispício do oráculo em homenagem a Apolo (deus Sol), em Delfos, na Grécia, já no século VI, a.C.

          Em nossas vidas, quase que diariamente nos deparamos com situações contraditórias e de conflito. Na trajetória da Terra, faz-se imprescindível que vivenciemos determinadas situações a fim de que possamos, a partir delas, fazer o aprendizado necessário para nossa evolução espiritual. A principal finalidade da vida na Terra consiste no aperfeiçoamento, e este aperfeiçoamento só se alcança através do auto-conhecimento.

          A única forma de se atingir o auto-conhecimento é através da busca individual pela sua própria essência. Isso se faz através de uma série de indagações que devem ser feitas diariamente, como uma espécie de auto-avaliação do dia que se passou.
          A primeira indagação que deve ser feita é a seguinte: “O que eu posso fazer para mim neste momento?”. Importante perceber que não se trata de busca pelo individualismo, mas, devemos ter em mente que quando a pessoa está bem consigo mesma, poderá aceitar e compreender o próximo, dentro de suas características e limitações peculiares.

          Outras questões podem ser colocadas para que se atinja níveis satisfatórios de auto-conhecimento, tais como: “Quem sou?” “De onde vim?” “Para onde vou?”.
         Todos nós temos, ainda que inconscientemente, uma noção do papel que devemos desempenhar no trânsito terreno. A avaliação constante de tais perguntas contribui sobremaneira para que as respostas a elas tornem-se cada vez mais claras em nossas mentes.
          Ainda, em nível de avaliação individual, é importantíssimo questionar-se se naquele dia que passou, faltamos alguma vez com nosso dever. Também é salutar nos perguntarmos se alguém teria algo para se queixar de nós e de nossas atitudes.

         Por mais que não tenhamos feito nenhum mal evidente naquele dia, cabe nos questionarmos se praticamos todo o bem que poderíamos ter praticado ou se tais atitudes foram apenas tomadas de forma parcial e buscando algum benefício próprio.
         Qual a melhor forma de fazermos esse julgamento individual das boas e más atitudes? Como saber se estamos caminhando em busca de um aprimoramento espiritual efetivo? A resposta a esse questionamento pode parecer simples, mas sua aplicação prática necessita de muita reflexão.

         Ora, uma vez que Deus é soberanamente justo e bom e não tem duas medidas para a justiça, quando estivermos indecisos sobre o valor de nossas ações, devemos nos perguntar como compreenderíamos aquela ação, se tivesse sido tomada por outra pessoa.
         Em nosso cotidiano, tendemos a ser bastante rígidos com os defeitos dos outros, ainda que estes sejam mínimos, ao passo que, muitas vezes, sequer notamos nossas próprias falhas, por maiores que sejam. Tal atitude pode parecer bastante cômoda, porém, em verdade, é totalmente equivocada, eis que avessa à necessidade incontestável de se alcançar o desenvolvimento individual.

         Aquele que se auto-conhece, é condescendente para com o próximo e duro para com suas próprias atitudes, eis que tem plena consciência de que deve compreender e respeitar ao próximo dentro de suas limitações, dentro do possível de cada indivíduo. Por outro lado, quando se trata de avaliar as próprias atitudes, a postura crítica é imprescindível ao aprimoramento.
         Evidentemente que a tarefa não é fácil e o desafio proposto é bastante complexo. Contudo, devemos corajosamente buscar dar o quanto antes o primeiro passo necessário ao início de qualquer jornada. Mãos à obra!

RODRIGO FONTA FRANÇA é advogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG). É colunista da revista SER Espírita. 

domingo, 15 de julho de 2012

O ESPÍRITO DE VERDADE - II

FONTE: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, O Cristo Consolador.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

HUMILDADE PARA APRENDER


por Nelson José Wedderhoff
    O que poderia ser um obstáculo importante ao nosso aprendizado?
Nós mesmos. Considerando que "aprender é mudar comportamento", segundo o Espírito Antonio Grimm.

         O significado que damos à vida e ao nosso tempo influencia na abordagem que fazemos sobre o "aprender". Podemos considerar que, por termos alcançado uma graduação na cultura da Terra (fizemos faculdade, pós graduação, etc), não precisaremos mais estudar. Ou, por termos alcançado níveis hierárquicos em organizações, não precisaremos mais estudar. Ainda, por termos alcançado certa idade, não precisaremos mais estudar.

         Pelo ponto de vista de um espírito imortal, o processo de aprendizado incluindo a busca de informação e o ajuste de comportamento jamais se encerra. A decisão deixa de ser estudar ou não, pois com isso fica claro que estudar é a melhor escolha. A pergunta passa a ser "o que estudar?", conforme a época pela qual estivermos passando. E é aqui que podemos enfrentar um desafio importante, que é conseguir adotar uma postura suficientemente humilde e que nos permite alcançar a consciência sobre a necessidade da informação e aperfeiçoamento contínuos.

         No momento em que nos julgamos suficientemente informados, comprometemos o processo de aprendizado. É preciso ter a consciência de que o que sabemos vai se tornando obsoleto com o tempo.

Nelson José Wedderhoff é Engenheiro Eletrônico e Professor Acadêmico na Faculdade Dr. Leocádio José Correia (FALEC); Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas; e Conselheiro Editorial na revista SER Espírita

segunda-feira, 9 de julho de 2012

NA INTIMIDADE DO SER


"Vós, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de entranhas de
misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade." - Paulo.
(COLOSSENSES, 3:12.)

     Indubitavelmente, não basta apreciar os sentimentos sublimes que o Cristianismo inspira.
          É indispensável revestirmo-nos deles.
          O apóstolo não se refere a raciocínios.
          Fala de profundidades.
          O problema não é de pura cerebração.
          É de intimidade do ser.
          Alguém que possua roteiro certo do caminho a seguir, entre multidões que o desconhecem, é naturalmente eleito para administrar a orientação.
          Detendo tão copiosa bagagem de conhecimentos, acerca da eternidade, o cristão legítimo é pessoa indicada a proteger os interesses espirituais de seus irmãos na jornada evolutiva; no entanto, é preciso encarecer o testemunho, que não se limita à fraseologia brilhante.
          Imprescindível é que estejamos revestidos de "entranhas de misericórdia" para enfrentarmos, com êxito, os perigos crescentes do caminho.
          O mal, para ceder terreno, compreende apenas a linguagem do verdadeiro bem; o orgulho, a fim de renunciar aos seus propósitos infelizes, não entende senão a humildade.
          Sem espírito fraternal, é impossível quebrar o escuro estilete do egoísmo. É necessário dilatar sempre as reservas de sentimento superior, de modo a avançarmos,vitoriosamente, na senda da ascensão.
         Os espiritistas sinceros encontrarão luminoso estímulo nas palavras de Paulo. Alguns companheiros por certo observarão em nossa lembrança mero problema de féreligiosa, segundo o seu modo de entender; todavia, entre fazer psiquismo por algunsdias e solucionar questões para a vida eterna, há sempre considerável diferença.

FONTE: do livro VINHA DE LUZ, mensagem 89, pelo Espírito Emmanuel, pelo médium Francisco Cândido Xavier.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O DIFERENCIAL HUMANO

     Marilene e Roberto formavam um casal, como se poderia dizer, normal. Apaixonados, conectaram-se firmemente um ao outro pelo eixo do matrimônio. Seguiam sua estrada alegres e em harmonia, girando a vida no mesmo ritmo, até que numa destas curvas do cotidiano, Roberto esqueceu de comprar os cogumelos encomendados por Marilene para o jantar em família. A raivosa crítica de Marilene à falha de memória de Roberto fez a ira deste despertar das profundezas de sua instável serenidade. Marilene não deixou por menos, afinal, ela estava com a razão. Roberto reconheceu o equívoco mas, diante de tal “humilhação”, não poderia se rebaixar. Não é preciso dizer que o que seria um sublime e congregador jantar em família virou uma festa da casa da mãe Joana. Interessante o comportamento humano: na rigidez dos compromissos, basta uma pequena guinada para que a relação se desgaste, consuma energia e a estabilidade vá para o beleléu.

          E onde entra o diferencial nesta história? Em poucas palavras, diferencial é um daqueles dispositivos criados pela genialidade humana para resolver algum problema específico. Imagine um carro fazendo curva. Em um mesmo eixo, a roda de fora percorre um caminho mais longo, portanto, gira mais que a de dentro. Nos primeiros carros fabricados, as rodas eram fixas uma à outra pelo eixo. Resultado? Bastava uma curva para que, assim como no casamento de Marilene e Roberto, houvesse desgaste de pneus, consumo exagerado de combustível e a estabilidade fosse para o beleléu. O diferencial, instalado no meio do eixo, deu liberdade às rodas. Embora montadas para atingir o mesmo objetivo, o diferencial fez que girassem de forma independente uma da outra. Bingo! Os problemas foram resolvidos.

          Que bom se as relações humanas pudessem ser resolvidas por soluções de engenharia. Bastaria inventar um diferencial no eixo matrimonial para que Marilene e Roberto, conectados por valores e nobres objetivos, pudessem girar com independência um do outro. Marilene ficou com raiva? “Tudo bem,” – pensou Roberto – “a raiva é dela e vai passar. Vou comprar os cogumelos”. Roberto esqueceu os cogumelos? De novo? Pensou Marilene. “Tudo bem, não posso esquecer quantas qualidades ele tem”.

          Eis o amor manifestado na forma mais simples do cotidiano, como um diferencial de compreensão e respeito, capaz de dar ao outro liberdade para que seja, com integridade e singela leveza, simplesmente aquilo que é. É oportunidade para que cada um expresse com tranqüilidade o Ser Em-si, resultado de sua constituição histórica única, rica e exclusiva. Quando recíproco, o diferencial do amor mantém o dinamismo e a estabilidade da união independentemente da intensidade das curvas que a estrada do cotidiano possa apresentar.

PAULO HENRIQUE RATHUNDE é Engenheiro Civil; Mestre em Organizações e Desenvolvimento; Autor do livro Artesão do Meu Futuro; é colunista da revista SER Espírita.

domingo, 1 de julho de 2012

A CRENÇA NA ENCARNAÇÃO ÚNICA CRIA UM DILEMA


 Paulo Henrique Wedderhoff
       - Deus “tá” vendo!
          Lembra desta frase da sabedoria popular?

          Pois é! O que significa "deus tá vendo" quando olhamos em volta e vemos crianças, jovens e adultos enfrentando dificuldades de todos os tipos, ao passo que a corrupção e os crimes que podem fazer parte das causas destes sofrimentos seguem impunes?

          A ideia da encarnação única impõe duas conclusões extremas quando olhamos ao nosso redor; ou as leis naturais são injustas e a proposição "a cada um segundo fizer por merecer" pode não ser verdadeira, ou há um grave equivoco em nossas conclusões sobre as realidades da existência, como por exemplo, quantas vezes vivemos na Terra.

         Afinal, como todos somos falíveis, não precisamos de várias oportunidades para realizar aprendizados? Não funciona assim ao longo da nossa vida? Não vivemos um dia após o outro, e em vários casos precisamos de dias, meses, ou anos para aprender algumas coisas?

         Como Deus é imanente, ou seja, está em sua obra, sem confundir-se com ela, não há como Ele não ver. Como também não é possível crer na injustiça das Suas leis. Por esta lógica podemos entender que encarnar uma única vez não seria suficiente para fazer aprendizados, realizar projetos, mudar comportamentos; logo, é justo encarnar tantas vezes quantas forem necessárias para vivenciar as consequências das nossas ações, e com isso mudar nosso comprometimento com o bem estar dos nossos irmãos.

         E após concluirmos que teremos que voltar à Terra para novas encarnações, caberia uma nova pergunta: onde há mais vagas para reencarnar? Nos poucos lares com acesso ao ensino de qualidade, ou na grande maioria de lares sem recursos por falta de um ensino que propicie autonomia pensante, social e econômica?

         O problema pode não ser seu nesta encarnação, mas e na próxima?

PAULO HENRIQUE WEDDERHOFF é Administrador e Professor Acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC). É articulista da revista SER ESPÍRITA.