quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A VERDADEIRA RIQUEZA


Por Rodrigo Fontana França

    Há pessoas que gastam a maior parte de suas vidas (ou mesmo a sua integralidade) exclusivamente buscando amealhar cada vez mais bens materiais. Vivem como se o dinheiro fosse um fim em si mesmo e se comprazem apenas com a multiplicação de seu patrimônio, sem que isso acarrete sequer a análise de outras questões que não estejam diretamente relacionadas ao dinheiro.

       Será mesmo que tal forma de abordagem se mostra como a mais coerente sobre a vida? Faz sentido focarmos apenas no ‘ter’ e deixarmos de lado outros fatores tão importantes como, por exemplo, a família, os amigos, o lazer, a saúde e também aquelas reflexões mais profundas de ordem existencial?

       Primeiramente não é demais lembrar que na vida um dos grandes segredos é tentarmos sempre buscar o equilíbrio em tudo. A cada instante de nosso dia-a-dia devemos nos perguntar se estamos tendo uma existência harmônica a fim de conseguirmos o quanto antes extirpar eventual desajuste. Se focarmos somente no lado financeiro o desequilíbrio é evidente posto que estaríamos deixando de lado todas as outras questões importantes. Estamos certos de que sem essa necessária divisão de nossas atenções para os vários aspectos relevantes da vida, jamais poderemos nos sentir plenamente satisfeitos.

       Ademais, não podemos olvidar do fato de que todos nós teremos obrigatoriamente que deixar a Terra em algum momento. Ao retornarmos ao polissistema cultural espiritual carregaremos conosco somente o conjunto dos valores morais que alcançamos e do bem que fizemos e teremos que deixar pra trás a integralidade dos bens materiais que amealhamos.

       Ora, se todos podem ter essa absoluta certeza e se sabemos que o tempo de duração de uma encarnação aqui na Terra é absolutamente ínfimo em relação a nossa vida na eternidade, qualquer pessoa coerente, ao fazer tal percepção, deve se preocupar em buscar aquilo que realmente importa e que permanecerá com ela para sempre. Sob essa perspectiva ampliada, se torna fácil perceber de que não há valia em nos esforçarmos para possuir bens materiais muito além do necessário, pois invariavelmente tudo isso será deixado para trás.

       Isso quer dizer que devemos desde logo renunciar a todos os bens terrenos e passar a viver como ascetas buscando apenas os valores espirituais? Evidentemente que não! Para cada um de nós há um propósito específico de estarmos encarnados e, se vivemos na matéria e em sociedade, é certo que devemos saber nos utilizar de todos os meios disponíveis para desenvolver tal desiderato da melhor forma possível. Não há mal algum na posse de bens materiais e na busca de algum conforto que possibilite a realização de nossos propósitos desde que – como dito – a coisa seja feita de forma equilibrada e os bens materiais sejam vistos não como fins em si mesmos, mas meios para alcançarmos algo maior.

      Como dito, as posições extremadas são sempre complicadas e devemos buscar a harmonia, o equilíbrio. Da mesma forma que a busca desenfreada da extrema riqueza material é complicada, também o é o total afastamento das questões sociais e materiais.

       Há uma frase muito interessante de Chico Xavier que nos alerta que algumas pessoas são tão pobres que tudo o que tem é dinheiro. Com essa reflexão podemos perceber que muito mais importante do que sermos financeiramente ricos é sermos ricos de saúde, de amizade, de cultura, de alegria, de virtudes, de sinceridade, de compaixão, de inteligência,... Enfim, de tudo aquilo que seguirá conosco para toda a eternidade

RODRIGO FONTANA FRANÇA é advogado e coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm. É articulista da Revista SER Espírita.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ALÉM DE TODA CRENÇA

       
    E se o cristianismo fosse diferente de tudo o que conhecemos? E se, ao lado de Mateus, Marcos e Lucas, o Novo Testamento não incluísse o relato de João, mas sim o de Tomé, um dos evangelhos gnósticos? Além de Toda Crença explora os primórdios do cristianismo, remontando a esses primeiros textos e comparando-os aos escritos canônicos. Elaine Pagels mostra o que levou os primeiros líderes cristãos a incluir determinados evangelhos na doutrina e excluir outros, eliminando muito da diversidade e riqueza espiritual da nova religião. Em seu novo e corajoso livro, a autora - uma das maiores autoridades mundiais na área de religião e história, e vencedora do National Book Award com o revolucionário Os Evangelhos Gnósticos - explora fontes históricas e arqueológicas para refletir sobre questões espirituais cruciais para nossa época, como a justiça e o amor.


       Abaixo, trecho do capítulo 1, "Do Ágape ao Credo de Nicéia."

      "Quando me diziam "Sua fé deve ser uma grande ajuda para você", eu me perguntava o que queriam dizer. O que é fé? Certamente não é a simples aceitação do conjunto de crenças que os devotos recitavam naquela igreja toda semana ("Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra...") - afirmações tradicionais que me soavam estranhas, como sinais da superfície, quase ininteligíveis, ouvidos no fundo do mar. Essas afirmações me pareciam ter pouco a ver com as relações que pudéssemos estar mantendo uns com os outros, com nós mesmos e, pelo que se dizia, com seres invisíveis. Eu estava agudamente ciente de que nos reuníamos ali levados pela necessidade e pela vontade. No entanto, às vezes me atrevia a esperar que aquela comunhão tivesse o potencial de nos transformar.
       Sou historiadora da religião e, como tal, quando visitava aquela igreja, eu me perguntava quando e como ser cristão se tornou praticamente sinônimo de aceitar determinado conjunto de crenças. Eu sabia, por leituras históricas, que o cristianismo sobrevivera a uma perseguição brutal e prosperara durante gerações - séculos, até - antes de os cristãos terem formulado em credos aquilo em que acreditavam. As origens dessa transição de grupos dispersos para comunidade unificada deixara poucos vestígios. Embora o apóstolo Paulo, cerca de 20 anos depois da morte de Jesus, tenha anunciado "o evangelho", que, diz ele, "também eu recebi" ("que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado no terceiro dia"), podem ter-se passado mais de 100 anos até que alguns cristãos, talvez em Roma, introduzissem no culto afirmações formais de crença, numa tentativa de consolidar seu grupo contra as exigências de outro cristão, chamado Marcion, a quem consideravam um falso mestre. Mas foi só no século IV, depois de o imperador romano Constantino ter-se convertido à nova fé - ou de tê-la no mínimo descriminalizado -, que, por ordem dele, bispos cristãos se reuniram na cidade de Nicéia, no litoral da atual Turquia, para entrarem em acordo quanto a uma declaração de crenças em comum - o chamado credo de Nicéia, que até hoje define a fé para muitos cristãos.
       Mas eu sei, pelo meu contato com pessoas naquela igreja, tanto em cima quanto embaixo, com crentes, agnósticos e buscadores, bem como com pessoas que não pertencem a nenhuma igreja, que o importante na experiência religiosa envolve muito mais do que aquilo em que acreditamos (ou em que não acresitamos). O que é o cristianismo e o que é religião, eu me perguntava, e por que tantos de nós ainda a acham irresistível, independentemente de pertencermos a uma igreja, e apesar das dificuldades que possamos ter com determinadas crenças ou práticas? Do que gostamos na tradição cristã - e do que não podemos gostar?

Fonte: do livro "Além de Toda Crença", de Elaine Pagels, Editora Objetiva, 2003.

domingo, 19 de agosto de 2012

O CORPO FALA


O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas equívocos, semáforos chamados amigos, luz de precaução chamada família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada decisão, um bom seguro chamado e um abundante combustível chamado paciência.
Mas principalmente um maravilhoso condutor chamado DEUS.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

QUANDO PERCEBER A IRRITAÇÃO


     Meu irmão, não creia em milagre. Procure compreender que cada homem vive, sofre, o resultado de sua própria evolução. Para alcançar o equilíbrio é necessário alcançar o autoconhecimento que permite a disciplina pessoal.

         Não estrague o seu dia; coragem, o seu mau humor, a sua ira, o seu ódio, não fazem outra coisa senão destruir, criar desolação, angústia, provocando insegurança em todos os que o cercam.

         Não esqueça que para vencer a dor o homem precisa conhecer os seus objetivos, saber administrar o seu interior, pois assim fará sublimação com dignidade. A provação aumenta a visão interior, abre os horizontes da alma, liberta o ser.

         Mostre a sua boa vontade em qualquer situação. Revele- se, colabore, seja solidário, trabalhe em benefício de todos; guarde a calma, faça a paz, seja sensato.

         Intensifique a consciência do bem, estude, pesquise, trabalhe, não reclame, não se deixe amedrontar pelo desânimo; esteja sempre preparado para não perder o sentido inteligente da vida.

         O acadêmico da espiritualidade tem certeza de que o exercício do bem se traduz pela luz no espírito, na qual a visão interior amplia os horizontes, elucida, promove grandes transformações.

        Na escolaridade da Terra, aquele que compreendeu o seu significado é solidário, respeitoso e justo com o seu igual; está sempre pronto à renúncia do “EU”, portanto sua vida significa dedicação ao trabalho, compreensão, serenidade, esperança, resignação, calma, perdão, amor, paz, humildade, permanente renovação, alegria constante.

         O homem que faz autoconhecimento percebe que o silêncio interior é a celebração plena da vida, o encontro do ser com o SER em todo o Universo, dentro de cada um, num processo constante de aprendizado.

         Quando você perceber que a irritação está tomando conta de sua pessoa, reaja, procure em seu interior os momentos de alegria vividos, revise os seus ideais, não lastime, caminhe com determinação. A prece e a vigiliatura respondem a todas as questões humanas, são responsáveis pelo equilíbrio.

         O homem marca o seu lugar na Terra pela força de seu trabalho, pelo desprendimento, pela renúncia moral, pelo caráter, pela consciência de seus objetivos; a dignidade humana está sempre presente quando a intenção é boa.

         Aquele que crê na justiça do Creador é paciente, benigno, aplicado ao bem, caritativo, esperançoso; sabe suportar, esperar, sofrer as provações com altruísmo; reconhece que não há efeito sem causa, tem perene juventude, é feliz sem exigências.

         Amor, trabalho, evolução.

FONTE: Mensagem extraído do livro "Na luta do cotidiano, A força do amor" pelo espírito Leocádio José Correia Psicografado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A LEITURA E A REVOLUÇÃO MORAL


Por Paulo Henrique Wedderhoff
       A evolução humana tem uma história que se mede em milhões de anos e durante os quais a disseminação da cultura foi feita em grande parte pela expressão oral. O ser do ser humano, ou seja, o espírito, absorve, aplica, constrói e repassa o conhecimento que vem sendo desenvolvido, falado e registrado em tabuletas de cerâmica, pergaminhos, rolos de papiro e livros desde as civilizações mais antigas. É curioso notar que depois da invenção da imprensa por Gutemberg, o processo civilizatório ganhou um impulso nunca visto em nossa história.
             O acesso à leitura serviu como veículo de divulgação das ideias renascentistas, permitiu o Iluminismo, derrubou as monarquias, gerou a revolução industrial e mais recentemente a revolução tecnológica que observamos em nossos dias. Baseados nesta trajetória, podemos entrever o poder dos livros e concluir que se conseguirmos ampliar os índices de leitura e melhorarmos a qualidade do que lemos, será mais fácil fazer a revolução moral que nosso Planeta necessita para tornar-se uma escola ainda melhor para o aperfeiçoamento espiritual.

- Texto publicado na seção Alimento Espiritual - edição no. 5 da revista SER Espírita – pag. 22
Paulo Henrique Wedderhoff é Adminitrador e Professor Acadêmico na Faculdade Dr. Leocádio José Correia (FALEC)
Ilustração de Ziraldo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O ÓBVIO

       
    Certa vez, um amigo abordou o médium Chico Xavier e lhe perguntou:
        Chico, na sua opinião, qual é o homem mais rico?
        Para mim, respondeu ele, o homem mais rico é o que tenha menos necessidades.
        Arriscando nova pergunta, o companheiro quis saber:
        E o homem mais justo e sábio?
        Com o fraterno sorriso de sempre, ele voltou a responder:
        O homem mais justo e sábio é o que cumpre com o dever.
       Mas– voltou a insistir o homem, certamente querendo uma resposta ou revelação diferente – o que você está me dizendo é o óbvio!
       Sem parar o que estava fazendo e, com a espontaneidade de sempre, Chico terminou dizendo:
        Meu filho, tudo que está no Evangelho é o óbvio!
        Não existem segredos nem mistérios para a salvação da alma. Nada mais óbvio que a verdade!
        O nosso problema é justamente este: queremos alcançar o céu, vivendo fora do óbvio na Terra!
                                   * * *
        A palavra óbvio vem do latim obvius e significa tudo aquilo que é evidente, à vista, lugar-comum.
        Ela é formada de ob, que representa à frente; e de via, que significa caminho.
        Assim, ela indica aquilo que está à nossa frente, sem ser segredo ou estar escondido, o que salta à vista.
        O querido médium da paz, na sua humildade de sempre, mostrou excelsa sabedoria ao apontar uma característica humana dos dias atuais: a de complicar o que é extremamente simples.
        Assim criamos fórmulas, palavras mágicas, receitas e esquemas mil, para entender o que sempre esteve tão claro nas palavras do Evangelho.
        Por vezes, parece que a fuga do óbvio é fuga da responsabilidade.
       Responsabilidade de quem já sabe o que deve fazer, de quem já tem o conhecimento, mas deixa a ação, a mudança, a renovação sempre para amanhã.
       Por que relutamos tanto em entender o óbvio?
       Será entendimento o que falta?
       Acreditamos que não. Nossa geração já tem entendimento e inteligência suficientes.
       O que falta é o movimento interior da mudança, de deixar as paixões negativas para trás.
       Viver de acordo com as lições de um mestre, como Jesus, não é ser fanático religioso, extremista e cego. Não, de forma alguma. O verdadeiro cristão é discreto, porém atuante e firme nas ações.
       Não enxerguemos Jesus como um santo, inatingível, que serve apenas para ser adorado.  Já passamos desse tempo.
      Hoje é tempo de vê-lo como um exemplo, um referencial, num mundo onde as referências são tão pueris.
      A lição do Evangelho é o óbvio. O óbvio tão necessário para acalmar nossas almas angustiadas com as incertezas do mundo.
       É via segura à nossa frente, conduzindo à tão sonhada felicidade.

Redação do Momento Espírita
25.01.2012.