terça-feira, 30 de outubro de 2012

EXPLICAÇÕES DO MESTRE

    Em plena conversação edificante, Sara, a esposa de Benjamim, o criador de cabras, ouvindo comentários do Mestre, nos doces entendimentos do lar de Cafarnaum, perguntou, de olhos fascinados pelas revelações novas:
        — A idéia do Reino de Deus, em nossas vidas, é realmente sublime; todavia, como iniciar-me nela? Temos ouvido as pregações à beira do lago e sabemos que a Boa Nova aconselha, acima de tudo, o amor e o perdão... Eu desejaria ser fiel a semelhantes princípios, mas sinto-me presa a velhas normas. Não consigo desculpar os que me ofendem, não entendo uma vida em que troquemos nossas vantagens pelos interesses dos outros, sou apegada aos meus bens e ciumenta de tudo o que aceito como sendo propriedade minha.
        A dama confessava-se com simplicidade, não obstante o sorriso desapontado de quem encontra obstáculos quase invencíveis.
        — Para isso — comentou Pedro —, é indispensável a boa-vontade.
        — Com a fé em Nosso Pai Celestial — aventurou a esposa de Simão —, atravessaremos os tropeços mais duros.
        Em todos os presentes transparecia ansiosa expectativa quanto ao pronunciamento do Senhor, que falou, em seguida a longo silêncio:
        — Sara, qual é o serviço fundamental de tua casa?
        — É a criação de cabras — redargüiu a interpelada, curiosa.
        — Como procedes para conservar o leite inalterado e puro no benefício doméstico?
        — Senhor, antes de qualquer providência, é imprescindível lavar, cautelosamente, o vaso em que ele será depositado. Se qualquer detrito ficar na ânfora, em breve todo o leite se toca de franco azedume e já não servirá para os serviços mais delicados.
        Jesus sorriu e explanou:
        — Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, se confunde com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os Profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do Povo Escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do espírito para recebê-las.
É por isto que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da
alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho efetivo do Reino de Deus.
        A pequena assembléia, na sala de Pedro, recebia a lição sublime e singela, comovidamente, sem qualquer interferência verbal.
         O Mestre, porém, levantando-se com discrição e humildade, afagou os cabelos da senhora que o interpelara e concluiu, generoso:
        — O orvalho num lírio alvo é diamante celeste, mas, na poeira da estrada, é gota lamacenta.
Não te esqueças desta verdade simples e clara da Natureza.

FONTE: do livro JESUS NO LAR, pelo Espírito Neio Lucio, pelo médium Francisco C. Xavier.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

AFERIÇÕES

E, estando Jesus assentado defronte
da arca do tesouro, observava a maneira
como a multidão lançava o dinheiro
na arca do tesouro (...) - MARCOS, 12:41

     JESUS, representado por seus vigilantes anjos da vida, está sempre defronte da arca do tesouro de suas experiências, procedendo à atenta e minuciosa aferição de suas oferendas ante os trâmites provacionais da vida.
         Sua magna tarefa é disponibilizar os créditos de motivação a quantos consigam se destacar da multidão em atos de maturidade no campo da renúncia, da abnegação e do trabalho pela edificação do reinado do bem.
         Cumpra os deveres espirituais com amor, conquanto os sacrifícios.
         Dobre-se nos anos em labor, conquanto os convites da preguiça.
         Vença os impedimentos, conquanto carecendo de apoio.
         Resigne-se diante da escassez, conquanto os anseios e sonhos.
         As aferições são de todos os instantes e de todos os dias. O somatório do bem realizado, tanto quanto do mal evitado, vai compor o aproveitamento pessoal na prova final do desencarne, quando receber de sua consciência a nota pela qual será conhecido na vida imortal.

FONTE: do livro LIÇÕES PARA O AUTOAMOR, pelo Espírito Ermance Dufaux, pelo médium Wanderley Oliveira.

sábado, 27 de outubro de 2012

VIDA COLORIDA

por Lucy Alves da Costa Tavernezi

     A vida tem um colorido e sabor diferente para cada criatura, existem aqueles que enxergam constantemente cores variadas e alegres. Não importa o momento pelo qual estão passando procuram ver o pingo colorido no meio do imenso tapete cinza. São aqueles que sabem selecionar a parte boa de toda experiência vivida. Como todos nós variam a trajetória de vida entre altos e baixos, mas possuem o diferencial de olhar o mundo com as lentes positivas. É muito bom estarmos próximos de pessoas assim, tudo parece bem mais leve e cheio de vida. Aqueles que escolheram positivar a vida estão construindo um mundo melhor a cada dia, transformando a visão de mundo dos que ainda persistem em ver apenas o lado negativo da existência.

          Os pessimistas de plantão não conseguem ver o pingo colorido, apenas imaginam que viver é navegar num mar de desilusões constantes. O triste de ter contato com os irmãos pessimistas é o deixar-se envolver pela sua negatividade. As vezes não percebemos o quanto esta influência prejudica o nosso cotidiano e de repente lá estamos nós passando por situações desanimadoras. É necessário estarmos atentos aos sentimentos que os outros provocam em nós. Quando a sensação for ruim pense em Deus iluminando o ambiente e vocês, assim a vibração de amor e luz transformará a frequência do encontro. Não podemos deixar as sensações ruins prejudicarem nossas relações familiares e de amizade. O mundo precisa de pessoas corajosas que saibam transformar um limão azedo em uma deliciosa limonada. Temos que positivar a vida, as pessoas, os acontecimentos e modificar a mentalidade violenta e negativa que quer se sobrepor ao bem. A vida é da cor dos sentimentos que plantamos pelo caminho. Já pensou que cor tem a sua vida?


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O EVANGELHO E O FUTURO

    Raças e povos ainda existem, que o desconhecem, porém, não ignoram a lei de amor da sua Doutrina, porque todos os homens receberam, nas mais remotas plagas do orbe, as irradiações do seu espírito misericordioso, através das palavras inspiradas dos seus mensageiros.

        O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança. Então, novamente se ouvirão as palavras benditas do Sermão da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, a verdade e a vida.

FONTE: do livro EMMANUEL, pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.

sábado, 20 de outubro de 2012

PARÁBOLAS DE JESUS - texto e contexto

         
     A narrativa bíblica revela o Todo-Poderoso comprometido em criar o homem à sua imagem e semelhança, potencialmente divino. Compreendendo Jesus como a concretização desse propósito celeste, nele encontramos o potencial que se fez vida plena, a palavra que se fez carne, a metamorfose do projeto em obra.
          Sua vida, na singela Galileia do primeiro século, é testemunho do homem em plena comunhão com Deus e, por que não, do Pai celestial expressando-se pela criatura, por meio de sentimentos, pensamentos, palavras, gestos e condutas.
          Na qualidade de porta-voz da Divindade, suas palavras são como um sopro do absoluto no relativo da linguagem humana, sopro do espiritual nas narinas de barro.
          No seu ensino oral, a palavra humana atinge o fulgor celeste. Parábolas, metáforas,  enigmas, provérbios, toda sorte de linguagem figurada pronunciada no embalo da antiga poesia hebraica, cheia de ritmo e sonoridade, com o fito de se eternizar no coração do ouvinte, que é o local privilegiado da escuta.
          Eis a forma.
          É o que nos ensina o Espírito Verdade:

"Muitas vezes a palavra de Jesus era alegórica e em forma de parábolas, porque ele falava de acordo com a época e lugares. Agora, é preciso que a verdade seja inteligível para todos. É necessário explicar e desenvolver aquelas leis, já que pouquíssimos são os que a compreendem e menos ainda os que a praticam."
 
         O material da sua prédica é retirado, invariavelmente, do cotidiano. Não é demais dizer que nos ensinamentos de Jesus o cotidiano foi iluminado pelo mais puro olhar, por uma perspectiva tão espiritual e tão ampla que abriu os olhos dos cegos mergulhados na rotina. Cada detalhe da vida assume contornos de invulgar beleza e espiritualidade.
         O benfeitor Emmanuel nos chama a atenção para esse ponto:

"O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo. Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino."
          Eis a matéria.
         Falava do Reino de Deus, obra divina no coração dos homens, e de seus Estatutos eternos.
          Eis o conteúdo. (...)

FONTE: trecho inicial da Introdução do livro PARÁBOLAS DE JESUS - Texto e contexto, de Haroldo Dutra Dias, FEP, 2011.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A GRANDE CRISE

     ...Jesus volta para convidar-nos à compaixão.
         Se não puderdes perdoar, pelo menos, desculpai aqueles que vos ferem, que vos magoam, e se não tiverdes forças para desculpar, pelo menos, permiti que a compaixão aloje-se nas paisagens tristes dos vossos sentimentos magoados.
         A grande crise moral da sociedade anuncia a era nova.
         Buscai ouvir, e escutareis em toda parte a musicalidade diferente de um mundo novo; fazei silêncio interior, e ouvireis a sinfonia dos astros.
       Tende a coragem, pois, de amar, em qualquer circunstância, por que se amardes somente àqueles que vos amam, mais não fazeis do que retribuir, no entanto, se fordes capazes de amar a quem vos alveja com os petardes terríveis da ingratidão, da ofensa, da perseguição gratuita, vosso nome será escrito no livro do reino dos céus e uma alegria inefável tomará conta de vossos corações preenchendo o vazio existencial.
        Filhos e filhas da alma!
        Vossos guias espirituais acercam-se-vos, e em torno dos vossos pensamentos enviam mensagens de paz para diminuir a agressividade e a violência.
        Tornai-vos pacíficos no lar, no relacionamento, nas parcerias, no trabalho, na rua, no cluble... Onde estiverdes mantende a paz, sendo pacíficos para vos transformardes em pacificadores.
        O mundo é o que dele têm feito os seus habitantes, mas, crede em mim, nunca houve tanto amor na Terra como hoje.
       A violência e a exaltação do crime ganham manchetes, vendem na grande mídia alucinando as vidas, mas nos alicerces da sociedade o amor é o paradigma que nutre as existências de milhões de mães e pais anônimos, assim como de filhos abnegados e estóicos que compreendem os mártires e os companheiros abnegados.
       Não vos envergonheis de amar!
       Na época da tirania o vosso amor é semelhante à terra que, exultante, arrebenta-se em flores como gratidão a Deus.
       Sois as divinas flores da humanidade agradecendo a Deus a presença de Cristo Jesus na Terra.
       Ide, ide em paz! Amai de tal forma que uma dor imensa de compaixão expresse o vosso amor para a vossa plenitude.
       É a mensagem dos Espíritos-espíritas que aqui estamos convosco nesse dia dedicado à gratidão em nome do amor de Jesus-Cristo pelas suas ovelhas.
       Muita paz, meus filhos!
       Que o Senhor de bênçãos vos abençoe e permaneça Ele conosco hoje, amanhã e sempre.
       São os votos do companheiro paternal e humilde de sempre,


Bezerra de Menezes


(Mensagem psicofônica através do médium Divaldo Pereira Franco, ao encerramento da sua conferência na Creche Amélia Rodrigues, na noite de 30 de setembro de 2012, em Santo André, (SP).

sábado, 13 de outubro de 2012

A FORMAÇÃO DA MENTALIDADE CRISTÃ - EM ÁUDIO


Neste episódio, Haroldo Dutra Dias, Luis Sergio, Fred Cornelio, e Thiago Franklin batem um papo interessantíssimo sobre “A Formação da Mentalidade Cristã”, em cima de um texto do espírito Emmanuel contido no capitulo XXXV do livro Emmanuel.

Neste Podcast: Entenda o ponto de vista de Kardec sobre o futuro do Espiritismo, aprenda sobre a base do sentimento cristão, e venha saborear um delicioso chá com esta turma aprendendo a utilizar a Doutrina Espírita como uma ferramenta para a sua Reforma Íntima.

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Comentado neste episódio:

Site Aura Celeste

•Blog Viajante do Universo ( Denis Soares )

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O ESPELHO DA VIDA

         A mente é o espelho da vida em toda parte.        
         Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.
         Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.
         Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.
         Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.
         Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca.
         Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão.
         O reflexo esboça a emotividade.
         A emotividade plasma a idéia.
         A idéia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.
         Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência.
         Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação.
         Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante. Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso.
         O reflexo mental mora no alicerce da vida.
         Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.

FONTE: do livro PENSAMENTO E VIDA, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco C. Xavier. editora FEB.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

TRIBULAÇÕES EDUCATIVAS


"sabendo que a tribulação produz fortaleza." - ROMANOS,5:3

     Caminha pelo mundo uma vasta multidão de loucos pacíficos, alinhados por fora e atormentados por dentro. Sorriem para driblar a insatisfação. Sobrevivem sem perceber o quanto entorpecem as operações da vida mental a caminho do desiquilíbrio e da ação relapsa.
          Apresentam-se felizes para o mundo no intuito de esconder a tormenta interior, preservando as aparências para se beneficiarem das vantagens da vida social. Na intimidade não sabem prever até quando darão conta de semelhente insanidade controlada.
          Se você deseja não fazer parte desse estado de perturbação, comece ainda hoje a construir, em sua intimidade, o legítimo sentimento de renovação dos seus hábitos e de sua conduta.
          No entanto, se você anseia sinceramente a vitória, seja vigilante com relação a seus esforços na edificação do bem no coração. Você será defrontado continuamente pelos exames no caminho do aperfeiçoamento.
          Somente com as tribulações dos testemunhos encontrará a fortaleza e a edificação de seus sublimes ideais.

FONTE: do livro LIÇÕES PARA O AUTOAMOR, pelo Espírito Ermance Dufaux.

sábado, 6 de outubro de 2012

7 MINUTOS COM EMMANUEL

        
    

ACIMA DE NÓS


“Porque está escrito: Destruirei a ciência dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.”
I CORÍNTIOS, 1:19

   Dezenas de séculos passaram sobre o Planeta, renovando a estruturação de todos os conceitos humanos.
       A ciência da guerra multiplicou os Estados, entretanto, todos os gabinetes administrativos que lhe traçam os escuros caminhos sucumbem, através do tempo, pelas garras dos monstros que eles próprios criaram.
       A ciência religiosa estabeleceu muitos templos veneráveis, contudo, toda vez que esses santuários se confiam ao conforto material desregrado, sobre o pedestal do dogma e do despotismo, caem, pouco a pouco, envenenados pelo vírus do separatismo e da perseguição que decretam para os outros.
       A ciência filosófica erige sistemas sobre sistemas, todavia, quando procura instalar-se no negativismo absoluto, perante a Divindade do Senhor, sofre humilhações e reveses, dentro dos quais atinge fins integralmente contrários aos que se propunha realizar.
       Em toda parte da História, vemos triunfadores de ontem arrojados ao pó da Terra, cientistas que semeiam vaidade e recolhem os frutos da morte, filósofos louvados pela turba invigilante, que plantam audaciosas teorias de raça e economia, conduzindo o povo à fome, à ignorância e à destruição.
       Procura, pois, a fé e age, de conformidade com a lei de amor que ela te descortina ao coração, porque, acima de nós, infinito é o Poder do Senhor e dia virá em que toda a mentira e toda a vaidade serão confundidas.

Produção: SER
Técnico de Gravação: João Francisco
Leitura e comentários: Haroldo Dutra Dias
Música: Gratidão a Deus – João Cabete
Interprete: João Paulo Lanini – Violão
Finalização: Júlio Corradi
Livro: Vinha de Luz
Capítulo: 164 – Acima de Nós
Versículo: I Coríntios, 1:19

FONTE: http://www.portalser.org/category/sete-minutos/

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

UM MERGULHO NO NOVO TESTAMENTO


Haroldo Dutra Dias, é autor do livro "O Novo Testamento", que foi traduzido direto do Grego.
Agora, Haroldo está lançando o livro "Parábolas de Jesus".
Conheça o novo site deste projeto de Haroldo Dutra Dias e uma entrevista com ele sobre o livro: "Parábolas de Jesus": em áudio e vídeo no site - www.parabolasdejesus.com.br
Conheça também outro portal de Haroldo Dutra: www.portalser.org
Ouça o podcast do Livro Parábolas neste link:


Escrito por Eliana Haddad e Izabel Vitusso


Ele nasceu em Belo Horizonte, é juiz de Direito, e especializou-se nas línguas hebraica, aramaico, francesa, grega clássica, e também em paleontografia, crítica textual e tradição judaica. Haroldo Dutra Dias prepara agora a segunda edição da tradução do Novo Testamento diretamente dos manuscritos gregos. Seu jeito simples engana. Bastam alguns minutos de conversa para perceber a profundidade de seu conhecimento e seu interesse em resgatar a mensagem renovadora de Jesus na sua origem. Por onde passa, tem lotado seminários e impressionado a platéia, pela precisão de conceitos e clareza de raciocínio. Para ele, porém, o conhecimento não basta. “É preciso desenvolver a sensibilidade dessa visão cósmica e espiritual da vida, fruto do estudo da doutrina espírita, na sua feição de cristianismo redivivo”. Estas e outras idéias você lê na entrevista que se segue:

O que levou você a se interessar pelo estudo mais aprofundado da linguagem do Evangelho?


Eu tinha 15 anos de idade quando li o livro Nosso Lar. Tive com a obra uma identificação total. Senti como se eu tivesse chegado a um porto seguro, uma área conhecida. Fui parar numa mocidade espírita, com tradição de estudo da obra de Emmanuel sobre o Evangelho. Poucos meses depois passei a frequentar o Grupo Emmanuel, de onde participaram os pioneiros: Dona Neném, Martins Peralva, Manuel Alves, Honório Abreu, Mário Sampaio, Damasceno Sobral. Um grupo que tinha uma tradição pouco comum de estudar a Bíblia à luz da doutrina espírita. Um dia, ao ler no O Evangelho segundo o Espiritismo, o capítulo “Moral estranha”, percebi que havia uma nota de fim de página [Nota de M. Pezzani]. Era um amigo de Allan Kardec, que conhecia grego e hebraico, esclarecendo que as traduções não eram felizes naquele ponto, porque não consideravam os elementos daquelas línguas. Que amar e odiar era uma expressão literária que significava amar mais e amar menos. Percebi que o estudo da língua era uma chave para penetrar mais profundamente nas questões do Evangelho.

Você conseguiu discutir, estudar esse conteúdo na casa espírita?


Procurei esses estudos no meio espírita e me surpreendi. Não obstante a riqueza de material sobre o Evangelho, a começar pelo monumental O Evangelho segundo o Espiritismo, não havia tradição no estudo bíblico, ao contrário dos movimentos católico e protestante, em que há escolas, formação de pessoas, cursos em que aprendem as línguas bíblicas. À medida que eu fazia o curso de Direito, comecei a fazer grego. E ao se ler o Novo Testamento em grego, um mundo novo se descortina. Acabei por entrar em contato com a obra de dois grandes espíritas: Canuto de Abreu – O Evangelho por Fora – e a obra de Pastorino, que não é propriamente uma obra espírita, no sentido doutrinário, mas com grande conteúdo histórico e linguístico. Ao me formar em grego, as outras línguas do Velho Testamento vieram como necessidades.

O que você descobriu de diferente?


Confirmei na prática uma afirmação de Kardec, que está na introdução histórica do O Evangelho segundo o Espiritismo: é impossível compreender o Evangelho sem que a pessoa estude a cultura e a sociedade judaica da época de Jesus. Sem o conhecimento da língua, da literatura de um povo, não o entendemos. É impossível uma compreensão profunda de certos elementos do Novo Testamento e da Bíblia de um modo geral sem o conhecimento da cultura greco-romana da época. E a maioria dos equívocos de interpretação bíblica, dos fundamentalismos, dos fanatismos, das leituras literais, decorrem disso.

Você poderia citar algum exemplo da mensagem de Jesus que foi mal interpretada?


Sim. Há o exemplo clássico do: “Quem odiar pai e mãe não será digno do reino dos céus”. Na língua hebraica, os opostos são feitos em forma poética. E nesse contraste passa-se a idéia de gradação: “Os últimos serão os primeiros, os primeiros serão os últimos”, por exemplo, e uma série de frases de Jesus está na poesia hebraica. Ele usa esses expedientes. Se você não conhece a literatura, faz afirmações absurdas sobre esses ensinos. Segundo exemplo: quando Jesus está na cruz e diz: Eli, Eli, lemá sabachthani (“Deus, meu Deus, por que me desamparaste? Por que me abandonaste?) e lemos rios de tinta que dizem que Jesus fraquejou, sentiu medo. Escrevem coisas que não têm o menor sentido por não entenderem que na verdade ele está recitando o Salmo 22. São mais de 30 salmos recitados por Jesus, desde o momento da sua prisão até o da crucificação. Fazendo-se um estudo desses salmos, da sua importância na literatura judaica, entende-se por que Jesus está citando cada um e qual a lição.

Além dos salmos que enriquecem a compreensão, ainda há a dificuldade com relação às traduções do Novo Testamento. Como devemos estudá-lo?


Há uma pesquisa que estamos fazendo, um campo inexplorado, que é a retradução dos textos bíblicos. Todos os textos do Velho Testamento estão em grego e sabemos que Jesus falava aramaico. A sociedade daquela região falava aramaico e hebraico. Quando fazemos isso, há uma surpresa: tudo está em forma de poesia, 98 por cento da fala de Jesus obedecem a um padrão de poesia, com rima e ritmo. Um francês chegou a levantar essa hipótese, mas agora precisa-se explorar mais isso. A poesia de Jesus possui quatro ritmos – de dois, três, quatro e cinco acentos, que são as sílabas tônicas. E a pesquisa agora está confirmando que quando ele quer consolar ele usa um tipo de acento; quando quer chamar atenção, usa outro tipo de acentuação. Tudo é poética e quando Jesus muda esse ritmo, a mensagem que está querendo veicular é diferente. Jesus deixa de ser uma figura puramente religiosa e passa a ser aquilo que o Espiritismo sempre o apresentou – o governador espiritual do orbe, o espírito de suprema hierarquia que já pisou na Terra, mestre dos mestres, cujo ensino contém poesia e musicalidade, conteúdo, espiritualidade. É como se Jesus ressuscitasse – no sentido metafórico – diante dos nossos olhos.


Já que tudo isso tem a ver com a difusão dos ensinos de Jesus, gostaríamos que fizesse um paralelo entre a era da divulgação da doutrina hoje, com vocês desenvolvendo programa em rádio web, por exemplo, com a anterior, fortemente marcada por palestras, conferências, com oradores de grande público como Divaldo Franco.


Entendo que são projetos complementares e não excludentes. A seara de Jesus é muito ampla e o Divaldo representa aquele trator que desbravou, abriu os caminhos, deixando o campo pavimentado para a divulgação do Espiritismo. Divaldo tem com seu estilo o objetivo de atrair o grande público, através da poesia da sua fala, da história contada com certa encenação e que produz uma mobilização interior em quem o está ouvindo, para conhecer a doutrina. E aí começa o nosso trabalho, que é um trabalho mais dialógico, mais de conversa. É um segundo momento. A pessoa chegou, ouviu, aprendeu e agora sente sede de diálogo.


Fale um pouco de como nasceu o programa de podcast, o PodSER?


O PodSER nasceu quando tivemos uma intuição de que se colocássemos um microfone, reuníssemos pessoas em torno de uma pauta de assuntos a serem estudados, debatidos, iriam querer ouvir a nossa conversa. Gravamos o programa entremeado de um café, um pão de queijo, tudo muito natural, porque o mais importante é a reflexão sobre o conteúdo doutrinário. Há uma sede por diálogos, porque a casa espírita e o movimento federativo se prepararam e muito bem para quem está iniciando, mas o movimento espírita está muito carente para os veteranos que não encontram espaço. Tínhamos vontade de conversar! Encontrava pessoas com 30 anos de espiritismo e elas queriam debater questões sobre O Livro dos Espíritos, questões do Evangelho... O podcast foi uma surpresa muito grata.

Estamos vivendo um momento novo, de menos isolamento?


Estamos todos com muita vontade de compartilhar conhecimento. Acredito que estamos num novo paradigma. Depois da internet, o paradigma hoje se chama compartilhamento, construção coletiva do conhecimento. A gente não comparece a essa conversa [PodSER] como quem detém o conhecimento, mas como alguém que tem peças do quebra-cabeças e está interessado em montá-lo junto. É um processo de ajuste para a construção do conhecimento. Depois de ter feito isso tudo, ter iniciado o podcast, eu decidi reler a Revista Espírita. E quando abri o primeiro mês da primeira revista espírita percebi que quem inaugurou isso foi Allan Kardec. Ele diz: “Essa será uma tribuna livre – discutiremos, mas não disputaremos. Porque disputa é orgulho.” É do que estamos sentindo falta hoje – de dialogar. E será através do debate que vamos aprender coisas do Espiritismo que estão adormecidas, participando do avanço do Espiritismo rumo ao futuro. Ultimamente estou vivendo essa experiência. Tenho 25 anos de movimento espírita e resolvi reler toda a obra de Kardec, na cronologia. Peguei a primeira edição do O livro dos Espíritos, em francês, o primeiro fascículo da Revista e aí na sequência... Cheguei à conclusão: “Não conheço Kardec!”. Estou assombrado, lendo coisas que digo “não é possível que eu tenha passado por isso, não acredito que eu já tenha lido isso”. Tenho sempre convidado amigos a lerem também. E todos ficam surpresos...


Outro ponto: como você está organizando esse arquivo de documentações originais. Pretende montar algum acervo ou museu?


Temos a idéia, mais para frente, de um projeto grandioso, que possa abarcar todos esses projetos. Ainda estamos numa fase de gestação da idéia e temos um ponto intermediário, através da FEB, um convite para coordenarmos um núcleo de pesquisa e estudo do Evangelho, do Novo Testamento, um programa em nível nacional. A idéia é fazer algo compartilhado. Ter pessoas de vários estados, como uma rede, para que possamos dialogar. Eu fiquei muito feliz, porque é a primeira vez que a Federação Espírita Brasileira abraça um programa de estudo do Novo Testamento à luz do Espiritismo.

Nós do Correio Fraterno ficamos felizes e vibramos muita luz para esse seu trabalho. Parabéns por sua inquietude!


Eu é que agradeço com carinho a emoção que me proporcionam. Quando começamos a falar de Jesus à luz da doutrina espírita, entramos em sintonia com esses grandes espíritas do passado que tinham esse ideal. Como se nós elevássemos a nossa vibração e entrássemos na esfera de atuação deles e aí a gente sente aquela emoção mesmo. Profunda. Porque é como se nós voltássemos para as nossas raízes – Kardec, Bezerra, Eurípedes, Cairbar, Ivonne... Aquele Espiritismo que você se emocionava, que fazia o coração bater acelerado. É isso!



Sobre o podcast, veja mais no www.portalser.org.


Complemento exclusivo para o site


Leia o texto do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que chamou a atenção do pesquisador Haroldo Dutra, incentivando-o a vasculhar as traduções do Novo Testamento para melhor compreender as palavras de Jesus.


Aborrecer Pai e Mãe


1 – E muita gente ia com ele; e voltando Jesus para todos, lhes disse: "Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai e sua mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e ainda a sua mesma vida, não pode ser meu discípulo. E o que não leva a sua cruz, e vem em meu seguimento, não pode ser meu discípulo. – Assim, pois, qualquer de vós que não dá de mão a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo." (Lucas, XIV: 25-27, 33).


2 – "O que ama o pai ou a mãe, mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim." (Mateus, X: 37).


3 – Certas palavras, aliás, muito raras, contrastam de maneira tão estranha com a linguagem do Cristo, que instintivamente repelimos o seu sentido literal, e a sublimidade da sua doutrina nada sofre com isso. Escritas depois da sua morte, desde que nenhum evangelho foi escrito durante a sua vida, podemos supor que, nesses casos, o fundo do seu pensamento não foi bem traduzido, ou ainda, o que não é menos provável, que o sentido primitivo tenha sofrido alguma alteração, ao passar de uma língua para outra. Basta que um erro tenha sido cometido uma vez, para que os copistas o reproduzissem, como se vê com frequência nos fatos históricos.


A palavra odiar, nesta frase de Lucas: “Se alguém vem a mim, e não odeia a seu pai e sua mãe”, está nesse caso. Ninguém teria a idéia de atribuí-la a Jesus. Seria, pois, inútil discuti-la ou tentar justificá-la. Primeiro, seria necessário saber se ele a pronunciou, e, em caso afirmativo, se na língua em que ele se exprimia essa palavra tinha o mesmo sentido que na nossa. Nesta passagem de João: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo a conserva para a vida eterna”, é evidente que ela não exprime a idéia que lhe atribuímos.(1) .


A língua hebraica não era rica, e muitas das suas palavras tinham diversos significados. É o que acontece, por exemplo, com aquela que, no Gênese, designa as frases da criação e servia ao mesmo tempo para exprimir um período de tempo qualquer e o período diurno. Disso resultou, mais tarde, a sua tradução pela palavra dia, e a crença de que o mundo fora feito em seis dias. O mesmo acontece com a palavra que designa um camelo e um cabo, porque os cabos eram feitos de pelos de camelo, e que foi traduzida por camelo, na alegoria da agulha. (Ver cap. XVI, nº 2) (2)


É necessário ainda considerar os costumes e as características dos povos que influem na natureza particular das línguas. Sem esse conhecimento, o sentido verdadeiro de certas palavras nos escapa. De uma língua para outra, a mesma palavra tem um sentido mais enérgico ou menos enérgico. Pode ser, numa língua, uma injúria ou uma blasfêmia, e nada significar, nesse sentido, em outra, conforme a idéia que exprima. Numa mesma língua as palavras mudam de significação com o passar dos séculos. É por isso que uma tradução rigorosamente literal nem sempre exprime perfeitamente o pensamento, e, para ser exata, faz-se por vezes necessário empregar, não os termos correspondentes, mas outras equivalentes ou circunlóquios explicativos.


Estas observações aplicam-se especialmente à interpretação das santas Escrituras, e em particular aos Evangelhos. Se não levarmos em conta o meio em que Jesus vivia, ficamos sujeitos a enganos sobre o sentido de certas expressões e de certos fatos, em virtude do hábito de interpretarmos os outros de acordo com as nossas próprias condições. Assim, pois, é necessário não dar à palavra odiar (ou aborrecer) a acepção moderna, que é contrária ao espírito do ensinamento de Jesus. (Ver também o cap. XVI, nº 5 e segs.).


(1) No original francês, o verbo empregado é odiar, motivo porque o mantivemos no texto de Kardec. O texto evangélico acima reproduzido não é tradução do francês, mas da nossa tradução clássica da Bíblia, de Figueiredo, que emprega o verbo aborrecer. (Nota do Tradutor).

(2) Non odit, em latim; Kai ou misei, em grego, não quer dizer odiar, mas amar menos. O que o verbo grego misein exprime, o verbo hebreu, que Jesus deve ter empregado, o exprime ainda melhor, pois não significa apenas odiar, mas também amar menos, não amar igual a outro. No dialeto siríaco, que dizem ter sido o mais usado por Jesus, essa significação é ainda mais acentuada. É nesse sentido que ele é empregado no Gênese (XXIX: 30-31). “E Jacó amou também a Raquel, mais que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido neste passo é: menos amada, e é assim que se deve traduzir. Em muitas outras passagens hebraicas, e sobretudo siríacas, o mesmo verbo é empregado no sentido de : não amar tanto quanto a outro, e seria um contra-senso traduzi-lo por odiar, que tem outra acepção bem determinada. O texto de São Mateus resolve, aliás, toda a dificuldade.



FONTE: Jornal Correio Fraterno (São Bernardo do Campo-SP)
://www.correiofraterno.com.br/nossas-secoes/14/975-um-mergulho-no-novo-testamento

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

208 ANOS DE NASCIMENTO DE ALLAN KARDEC

       Há 208 anos nascia Hippolyte Leon Denizard Rivail, mundialmente conhecido como Allan Kardec (3 de outubro de 1804).

         Pesquisador, cientista, aluno de Pestalozzi, Allan Kardec assumiria o papel de codificador da Doutrina Espírita, tornando-se o nome de referência para milhões de adeptos e simpatizantes do Espiritismo.

          Leia a seguir um pensamento de Kardec, registrado no livro Obras Póstumas:

         “A ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade e, como nenhum de nós está isento de censuras, é preciso desculpar os outros, para que nos desculpem, de sorte a podermos dizer como Jesus Cristo: “atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado”. Continuarei, pois, a fazer todo o bem que me seja possível, mesmo aos meus inimigos, porquanto o ódio não me cega. Sempre lhes estenderei as mãos, para tirá-los de um precipício, se se oferecer oportunidade. Eis como entendo a caridade cristã. Compreendo uma religião que nos prescreve retribuamos o mal com o bem e, com mais forte razão, que retribuamos o bem com o bem. Nunca, entretanto, compreenderia a que nos prescrevesse que paguemos o mal com o mal.”

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O ESPIRITISMO E AS RELIGIÕES

        "O cristianismo, em seu nascimento, tinha que lutar contra um poder terrível: o paganismo, então universalmente difundido; não havia entre eles nenhuma aliança possível, não mais do que entre a luz e as trevas: em uma palavra, não podia se propagar senão destruindo o que existia; também a luta foi longa e terrível; as perseguições disso são a prova."
         "O Espiritismo, ao contrário, nada tem a destruir, porque se assenta sobre as próprias bases do Cristianismo; sobre o Evangelho, do qual não é senão a aplicação. Concebeis a vantagem, não de sua superioridade, mas de sua posição. Não é, pois, assim como alguns o pretendem, sempre porque não o conhecem, uma religião nova, um seita que se forma às expensas de suas irmãs mais velhas: é uma doutrina puramente moral que não se ocupa, de nenhum modo, dos dogmas, e deixa a cada um inteira liberdade de suas crenças, uma vez que tem adeptos em todas as religiões, entre os mais fervorosos católicos, como entre os protestantes, entre os judeus e os muçulmanos."
         A moral que ele ensina é boa ou má? É subversiva? Aí está toda a questão. Que se estude, e saber-se-á a que se agarrar. Ora, uma vez que é a moral do Evangelho desenvolvida e aplicada, condená-la seria condenar o Evangelho."

(Allan Kardec, na Revista Espírita de 1861)