quinta-feira, 27 de setembro de 2012

QUAL É A PRIORIDADE DO ESPIRITISMO NO SÉC. 21?

Por Emerson Zanon Granemann
     A evolução constante da humanidade nos permite avançar em ideias, interpretações e em seus desdobramentos. Avaliando as transformações do tripé Ciência, Filosofia e Religião que formam o Espiritismo, podemos perceber que é natural a necessidade dos Centros Espíritas se manterem alinhados aos tempos atuais.

         A ciência moderna vai quebrando verdades absolutas e particularmente a física quântica vai promovendo a aproximação com o espiritual. A filosofia vai descobrindo novas abordagens de acordo com o grau de evolução da sociedade e promovendo a busca da identidade de cada um. E a religião vai aos poucos se transformando e deixando de lado dogmas, ritos, hierarquias e fundamentalismos para equilibrar razão e emoção como promotora do livre arbítrio.

         Interessante citar o resultado de recente pesquisa do site da SER Espírita, cujos resultados apontam algumas tendências sobre a questão. Da pergunta “Qual é a prioridade do Espiritismo no século 21? 86% optaram por responder pela promoção da vida e a contextualização das obras básicas de Kardec. E apenas 14% dos que votaram na enquete apontaram para a ampliação dos trabalhos de desobsessão, comunicação e cura espiritual.

          É importante que os participantes dos Centros Espíritas possam ampliar sua visão de mundo e com isso promover ações de mudanças no seu cotidiano levando em conta os aspectos econômicos, políticos, sociais e ecológicos do planeta, da nação e do lugar onde vivem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de todos.

         Os Centros Espíritas deste século tem como missão atuar como uma verdadeira Universidade do Povo, estimulando o homem a pensar, promover mudanças de atitude e crescimento pessoal dentro dos limites possíveis de cada um dos seus membros.

 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CUIDADO COM A MEMÓRIA DE SUA CASA



Franco Guizzetti

    O padrão vibratório de uma casa tem relação direta com a energia e o estado de espírito de seus moradores. Tudo o que pensamos e fazemos, as escolhas, os sentimentos, sejam bons ou ruins, são energias. O resultado reflete nos ambientes, pessoas e situações. O corpo é nossa primeira morada e nossa casa, sua extensão. É ela que nos acolhe, protege e guarda nossa história.

        Da mesma forma que limpamos, nutrimos e cuidamos da vibração de nosso corpo, devemos estender esses cuidados e carinhos ao lar. Mais que escolher o imóvel e enfeitá-lo com móveis e objetos - muitas vezes guiados apenas por modismos ou pura praticidade -, a elaboração da atmosfera de um ambiente é importante porque reflete a personalidade de seu dono, dando pistas sobre seus gostos, estilo de vida, história e sonhos.

        Há quem acredite que, colocando cristais, sinos de vento, fontes, espelhos, instrumentos do feng shui, é possível atrair bons fluidos e equilíbrio para dentro de casa. Mas, é muito pouco, pois a personalidade de um ambiente vai além. Ela é conseguida dia após dia, não apenas com técnicas, mas com pequenos atos de carinho e com muita energia boa. Além de atrair bons fluidos para nosso lar, temos todas as condições de criá-los no interior do próprio ambiente.

        O conjunto de pensamentos, sentimentos, estado de espírito, condições físicas, anseios e intenções dos moradores fica impregnado no ambiente, criando o que se chama de egrégora. Você, com certeza, já esteve em uma residência ou ambiente onde sentiu um profundo bem-estar e sensação de acolhimento, independente da beleza, luxo ou qualquer outro fator externo. Essa atmosfera gostosa, sem dúvida, era dada principalmente pelo estado de espírito positivo de seus moradores. Infelizmente, hoje em dia, é muito mais corriqueiro entrarmos em ambientes que nos oprimem ou nos dão a sensação de falta de paz e, às vezes, até de sujeira, mesmo que a casa esteja limpa. A vontade é ir embora rapidamente, ainda que sejamos bem tratados.

        O que poucos sabem é que as paredes, objetos e a atmosfera da casa têm memória e registram as energias de todos os acontecimentos e do estado de espírito de seus moradores. Por isso, quando pensar na saúde energética de sua casa, tome a iniciativa básica e vital de impregnar sua atmosfera apenas com bons pensamentos e muita fé. Evite brigas e discussões desnecessárias. Observe seu tom de voz: nada de gritos e formas agressivas de expressão.

        Não bata portas e tente assumir gestos harmoniosos, cuidando de seus objetos e entes queridos com carinho. Não pense mal dos outros. Pragas, nem pensar! Selecione muito bem as pessoas que vão freqüentar sua casa. Festas, brindes e comemorações alegres são bem-vindas porque trazem alegria e muita energia, mas cuidado com os excessos. Nada de bebedeiras e muito menos uso de drogas, que atraem más energias.

        Se você nutre uma mágoa profunda ou mesmo um ódio forte por alguém, procure ajuda para limpar essas energias densas de seu coração. Lembre-se que sua casa também pode estar contaminada. Aprenda a fazer escolhas e determine o que quer para sua vida e ambiente onde mora. Alegria, amor, paz, prosperidade, saúde, amizades, beleza já estão bons para começar, não é mesmo? Reflita sobre como você vive em sua casa, no que pensa, como anda seu humor e reclamações do seu dia-a-dia. Tudo isto interfere no seu astral.

PS: Egrégora - A Egrégora pode ser definida como uma energia resultante da união ou da soma de várias energias individuais. Ela é formada pelo afluxo dos desejos e aspirações individuais dos membros daquele grupo. Um exemplo é o amor familiar que gera um fenômeno espiritual que mantém a união da família, cria a empatia entre essas pessoas, o telessomatismo etc.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A SACRALIZAÇÃO DO ESPIRITISMO



Por Ruy Simon Paz

I
     Preliminarmente, é preciso que se reafirme o seguinte: “a Doutrina é dos Espíritos, o Espiritismo é dos homens”. Neste enunciado, o espírito A. Grimm nos esclarece que o Espiritismo é a interpretação espaço-temporal, alcançada pelos homens, dos fundamentos da Doutrina dos Espíritos. Em outras palavras, é o alcance possível que fazemos, a cada época, em face dos paradigmas da contingência, da inteligência e da cultura. Portanto, alcance permitido pelos instrumentos, instruções, conhecimentos e saberes de cada época da história humana.

         Kardec é conhecido como o Codificador da “terceira revelação”. Por que terceira revelação”? Se Moisés nos trouxe a “primeira revelação” e Jesus Cristo a “segunda revelação”, o que revelaram esses três grandes pontuais, em épocas tão distantes e diferentes? No meu entendimento revelaram a substância permanente da chamada Lei Natural. Mas, isso não significa a própria substância em si, pois ela não se mostra, como o próprio nome diz, revela-se, mas, significa a interpretação possível à luz dos paradigmas acima mencionados. Ou seja, Jesus recontextualizou o que afirmara Moisés, substituindo a “lei de talião” pela Lei do Amor. Fazendo isso negou e invalidou a primeira revelação? Certamente que não. Manteve a substância, a prístina - aquilo que é permanente e não se altera, qual seja, o substancial e imanente sentido de justiça que sempre esteve presente em todas as épocas da Humanidade. Este é o ponto comum entre Moisés, Jesus e Kardec. O que se alterou, então? Os meios de se fazer justiça. O “olho por olho, dente por dente” deu lugar a “fora da caridade não há evolução”. Na sequência, Kardec sustenta a Lei do Amor e o sentido de justiça na cogência da ciência, da filosofia e da religião. Cada qual, a seu tempo, inovou e renovou a interpretação da substância alicerçado nos ombros dos antecessores. Portanto, não houve negação do passado, mas reafirmação dos fundamentos à luz da contemporaneidade. Sem Moisés não haveria Jesus e, sem o Mestre, não haveria Kardec.

         Então, devemos “rasgar” o Velho Testamento? Evidentemente que não. Trata-se de peça de grande relevância na história da Humanidade. Mas, mantê-lo ipsis litteris como referência indefectível na atualidade é repetir, à exaustão, a forma em detrimento da necessária e permanente reflexão sobre a essência da chamada Revelação. É manter o pensamento arrumado em face de uma interpretação datada, anacrônica. Nada mais deletério para o necessário pensamento crítico.

         Grande parte da obsolescência das correntes ditas cristãs deve-se à nociva sacralização das formas temporais das revelações e dos seus portadores. Sim, porque sacralizar significa, entre outras coisas, tornar estático, inquestionável e definitivo aquilo que é temporal, aprisionando o pensamento crítico e, até mesmo, a possibilidade de evolução do espírito. No fim, restam os ritos e repetições sem sentido, como as preces decoradas.

         Não façamos o mesmo com Kardec e nem com o Espiritismo. Ambos merecem o melhor de nossos esforços.

II

        Conforme as reflexões do texto anterior, a sacralização da Doutrina significa torná-la datada, estéril, imune às transformações do conhecimento, dos saberes, alcançados pela Humanidade em todas as épocas. Como terceira revelação, a Doutrina Espírita recontextualiza os fundamentos permanentes da Lei Natural, assim como fizeram todos os grandes pontuais, como Moisés, Jesus, Buda, Lao- Tsé, Confúcio, entre outros. Portanto, faz a atualização do pensamento crítico em face do eixo fundamental e substantivo da permanente busca da verdade.

         Kardec já afirmara que o Espiritismo era uma obra inacabada. Assim como Jesus não disse tudo, porque se assim o fizesse criaria mais confusão do que esclarecimento, dadas as nossas limitações temporais, Kardec codificou o possível em face de uma mentalidade possível, pois, como bem assegurara: “Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma Ciência … De há muito, a experiência há demonstrado ser errôneo atribuir-se aos Espíritos todo o saber e toda a sabedoria e supor-se que baste a quem quer que seja dirigir-se ao primeiro Espírito que se apresente para conhecer todas as coisas”[1]. Portanto, o próprio Codificador alertou-nos sobre a necessária permanente crítica do discurso espírita. Em outras palavras, podemos acrescentar que a melhor contribuição à causa espírita é a reflexão permanente e não a repetição extenuante.

         Recontextualizar não significa rejeitar, invalidar, mas sobretudo renovar nossa compreensão, em face daquilo que é permanente, à luz do contemporâneo. Do contrário, não haveria evolução, progresso, para o espírito. Teríamos permanecido na primeira revelação, pois, em hipótese nenhuma poderíamos alterá-la, assim como procedem os fanatismos de todas as ordens. Ora, seria o fim da história e, conseguintemente, da vida, do espírito, porque não haveria mais propósito algum em existir. Isto revela o mais alto grau do absurdo, pois, seria a negação do próprio Creador.

         Nada é permanente, a não ser a mudança. Esta afirmação, dita em outras palavras, foi pronunciada por Heráclito, há aproximadamente 2.500 anos. Talvez por isso o tenham chamado de o “obscuro”, pois poucos o compreenderam. Ele se referia, certamente, a physis, onde registramos nossas impressões, concepções, percepções e entendimentos. Portanto, os veículos, as “embalagens” de nossa compreensão da verdade, ou seja, a simbologia da cultura que a transporta, está em permanente transformação, assim como o rio de Heráclito, onde um homem nunca se banha duas vezes, porque da segunda vez nem ele, nem o rio, serão os mesmos.

         A propósito de Lao-Tsé, encerro a coluna de hoje com uma citação esclarecedora desse grande pontual: “Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência. Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão”.

[1] KARDEC, A. A Gênese, O Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 36a. Edição, pág. 48, FEB, RJ, 1944.



III

     Todo pensamento parte de pressupostos, premissas. Esses pontos de partida do raciocínio crítico sustentam-se nos chamados paradigmas da contingência, da inteligência e da cultura. Analisemos um exemplo contemporâneo. Hoje, sabemos que um simples pendrive de 512 Kb é capaz de armazenar o conteúdo de 400 livros; um disco rígido de 1 terabyte ( 1.000.000 de megabytes) suporta, aproximadamente, 800.000 livros. Isso não nos parece mais surpreendente, pois já vivemos a era da tecnologia da informação baseada em meios digitais.

          Imaginem alguém revelar essas possibilidades no início do século passado. Certamente seria tachado de louco. Afinal, pelos paradigmas vigentes à época, a única forma admissível de armazenar informação era em papel impresso. Com efeito, podemos supor que nada é impossível, mas muitas coisas ainda são improváveis, pela ausência de conhecimentos, instrumentos e instruções que possam viabilizá-las. Um dia, não muito distante, faremos nossos deslocamentos através do teletransporte. Será impossível? Em 1906, Santos Dumont conseguiu a proeza de voar por 60 metros com um aparelho mais pesado do que o ar. O feito repercutiu na imprensa do mundo todo. Afinal, era impossível voar sem asas, como os pássaros. Passadas seis décadas, o homem estava pisando na Lua. O impossível não só se tornou possível, como superou todas as expectativas conhecidas e inimagináveis.

          Portanto, nada é sagrado, no sentido de intocável, a não ser a permanente mudança. Isso vale para todas as Doutrinas, inclusive a Espírita. Não significa dizer, como já afirmamos antes, que os fundamentos doutrinários estão em questão. Utilizando-nos do exemplo acima, Santos Dumont não revogou a lei da gravidade, nem outra qualquer lei da natureza. Esta não adaptou-se, ou reduziu-se, aos desígnios do grande inventor. Pelo contrário, é o cientista que se submete às mesmas leis, fazendo um segundo olhar e enxergando aquilo que estava, ainda, oculto. A possibilidade de voar estava ali, somente não era concebida, nem percebida e, muito menos, compreendida.

         A necessária recontextualização de Doutrina Espírita submete-se a mesma lógica, ou seja, seus fundamentos permanecem intocáveis, assim como as leis da natureza, mas a interpretação que fazemos deles, em face do possível de cada época, merecem ser criticados permanentemente, para ampliarmos, cada vez mais, os horizontes da compreensão do espírito.

         Por um vício de origem em nossa educação formal, abandonamos a reflexão filosófica. Assim, a maneira como vemos o mundo, o outro e a nós mesmos, é tida como natural, inquestionável. Não pensamos que, apesar de recebermos as informações pelos sentidos, sempre atribuiremos significados ao que concebemos e percebemos, transformando-as, por conseguinte, em conhecimento.

         As premissas são, normalmente, ocultas, não se mostram, mas se revelam em nossos entendimentos e práticas cotidianas. É preciso questioná-las, sempre. Assim, como o fizeram Dumont, Einstein, Bohr, entre outros. Já imaginaram se Newton fosse sacralizado? Andaríamos em carroças ainda. Ufa!


RUY SIMON PAZ é sociólogo e Professor Acadêmico na Faculdade Dr. Leocádio José Correa (FALEC) e colunista da Revista SER Espírita.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A ESCOLA DAS ALMAS

    Congregados, em torno do Cristo, os domésticos de Simão ouviram a voz suave e persuasiva do Mestre, comentando os sagrados textos.
        Quando a palavra divina terminou a formosa preleção, a sogra de Pedro indagou, inquieta:
        — Senhor, afinal de contas, que vem a ser a nossa vida no lar?
        Contemplou-a Ele, significativamente, demonstrando a expectativa de mais amplos esclarecimentos, e a matrona acrescentou:
        — Iniciamos a tarefa entre flores para encontrarmos depois pesada colheita de espinhos. No começo é a promessa de paz e compreensão; entretanto, logo após, surgem pedras e dissabores...
        Reparando que a senhora galiléia se sensibilizara até às lágrimas, deu-se pressa Jesus em responder:
        — O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da Humanidade.
        E, sorrindo, perguntou:
        — Que fazes inicialmente às lentilha, antes de servi-las à refeição?
        A interpelada respondeu, titubeante:
        --- Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-las ao fogo para que se façam suficientemente cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.
        — Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?
        — De modo algum — tornou a velha humilde —; antes de entregá-lo ao consumo caseiro,
compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...
        O Divino Amigo então considerou:
        — Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem
servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O
que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para a Vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições. Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da erva. Pela manhã emite perfume, à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.
       A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:
       — Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem.
       O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:
       — Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?
       — Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado
e confiante.
       — Ocorre o mesmo — terminou o Mestre — com a alma rebelde às sugestões edificantes
do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande
selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de Nosso Pai, os corações que não cederam ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado, na condição de adubo, entre os detritos da Natureza.

FONTE: do livro JESUS NO LAR, pelo Espírito Neio Lucio, pelo médium Francisco C. Xavier, FEB.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SESSÃO DE CINEMA

CRISE DE VALORES

  
Por Nelson José Wedderhoff
"O mundo é como é porque as pessoas são como são".
      Esse pensamento do Espírito Leocádio José Correia nos chama atenção para algo que sabemos, mas que poucas vezes levamos em consideração nas nossa escolhas.
       E ocasionalmente nos deparamos com situações que nos afetam negativamente, seja em função do preconceito, a competição, da exclusão, da violência, etc.

      Entretanto estas situações são resultantes das ações individuais, que compõe a ação do grupo. Um exemplo recente é a inciativa de uma rede importante de televisão aberta, a qual passará a transmitir as lutas livres. Afinal, qual é o objetivo desta transmissão?
      Precisamos realmente assistir a este tipo de conteúdo?
      Qual será o impacto deste tipo de proposta na mentalidade das crianças e dos jovens?
     Não corremos o risco de aumentar a violência no ambiente escolar ou social onde os jovens participam?

      Mas existe uma outra pergunta ainda mais importante...
     Porque passarão a transmitir as lutas? A resposta é: porque há público interessado. Ou seja, porque nós como sociedade ainda "consumimos" este tipo de produto, destrutivo para nós mesmos. Se não consumíssemos não seria transmitido.

     Em muitos casos ainda não fazemos avaliação de longo prazo, buscando entender os desdobramentos possíveis de algumas ações. O bem estar social é uma obra de longo prazo, e está baseada em várias ações cotidianas como: alimentação saudável, pensamentos saudáveis, conduta ética, planejamento, informação, educação...
      Desvios sociais não se corrigem de um dia para o outro. É necessário, cotidianamente, desetimular ações que não signifiquem na prática a construção de uma cultura de valorização da pessoa e de preservação da vida.
 
Nelson José Wedderhoff é Engenheiro Eletrônico; Professor Acadêmico na Faculdade Dr. José Leocádio Correia (FALEC); Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas; e Conselheiro Editorial na revista SER Espírita.